A Stévia é um adoçante natural de base vegetal, não calórico que tem sido utilizado há centenas de anos em muitas partes do mundo. A história da stévia começou no Paraguai, Uruguai, Argentina e Brasil, onde os índios utilizavam as suas folhas, conhecidas como Kaá Hee ("erva doce"), para adoçar bebidas como o mate ou tereré, ou as mastigavam por ter um sabor doce. Tradicionalmente, as folhas eram secas e utilizadas para adoçar chás e remédios. 
     Na década de 70, o Japão foi o primeiro país a comercializar a stévia, continuando a ser o maior e mais diversificado consumidor, embora a utilização na Coreia do Sul esteja crescendo. 
     O género stévia é uma planta subtropical que pode ser cultivada como qualquer outro vegetal. Ela requer altas temperaturas com um mínimo de geadas, precipitação adequada e muito sol. É um arbusto que pode chegar a 80 centímetros de altura. Este género inclui mais de 100 espécies. Entretanto, apenas duas delas contêm glicosídeos de esteviol. A variedade com os compostos mais doces é a Stevia rebaudiana Bertoni. 
     A extracção e purificação dos diferentes glicosídeos de esteviol produzem uma substância com um sabor semelhante ao do açúcar. 
     A stévia purificada é 100% natural, sem calorias, até 300 vezes mais doce que a sacarose. É estável com o calor, não fermenta e não produz deterioração nos dentes. 


      1. Avaliação de segurança 


     A segurança dos glicosídeos de esteviol foi objecto de várias publicações científicas durante muitos anos. Após analisar todos os dados de toxicidade, incluindo estudos in vitro e in vivo em animais e estudos da tolerância humana, o Painel da EFSA em Aditivos Alimentares e Fontes de Nutrientes concluiu que os glicosídeos de esteviol (que compreendem pelo menos 95% dos seguintes glicosídeos de esteviol: esteviosídeo, rebaudiosídeo A, B, C, D, E e F, rubusosídeo, steviolbiosídeo e dulcosídeo A) não são carcinogénicos, genotóxicos ou associados a qualquer toxidade reprodutiva ou de desenvolvimento. 
     Para obter a aprovação da Administração de Drogas e Alimentos (FDA) dos Estados Unidos, com o Reconhecimento Geral de Segurança (GRAS), extensivos estudos toxicológicos dos glicosídeos de esteviol (especificamente sobre o rebaudiosídeo A) foram realizados incluindo também estudos sobre os seus efeitos na hemodinâmica, na homeostasia da glicose, genotoxicidade, mutagenicidade, carcinogenicidade, e toxicidade reprodutiva. 
     Em ensaios clínicos em humanos, nenhuma preocupação de segurança foi detectada dentro do nível de consumo aceitável. O consumo de stévia é bem tolerado por pessoas com hipertensão e diabetes tipo 1 e tipo 2. A stévia é adequada a pessoas com fenilcetonúria (PKU). 
     O Comité Conjunto de Especialistas em Aditivos Alimentares da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação/Organização Mundial de Saúde (JECFA) analisou a segurança dos glicosídeos de esteviol em 2000, 2005, 2006, 2007, 2009 e 2010 e estabeleceu uma dose diária aceitável (DDA) para glicosídeos de esteviol (expressa como equivalentes de esteviol) de 4 miligramas por quilograma de peso corporal por dia.


     2. Uso da stévia em alimentos e bebidas 


     Historicamente, a stévia na sua forma bruta tinha um sabor a alcaçuz subtil, e em níveis mais elevados de utilização essas notas de sabor são mais perceptíveis. Entretanto, a extracção e purificação dos glicosídeos minimiza esse sabor. 
     Hoje, a stévia pode ser encontrada em centenas de produtos alimentícios e bebidas, incluindo chás, refrigerantes, sucos, iogurte, leite de soja, produtos de panificação, cereais, saladas, doces e como adoçante de mesa. 


     3. O status da stévia 


     A stévia foi reguladoramente aprovada para ser utilizada em alimentos e bebidas em diversos países do mundo incluindo o Japão, Coreia, Austrália, Rússia, Malásia, Indonésia, Suíça, França, México, Brasil e Estados Unidos. 
     No passado dia 12 de Novembro 2011, um novo regulamento da comissão europeia sobre os glicosídeos de esteviol foi publicado, alterando assim o anexo anterior.




     Fonte do texto: 




Artigos Científicos sobre a Stévia e os adoçantes artificiais


     Ingestão de refrigerantes com adoçantes artificiais e o risco de parto prematuro: estudo de coorte prospectivo em 59.334 mulheres grávidas dinamarquesas.
     Halldorsson TI , Strøm M , Petersen SB , SF Olsen (2010).
      
     Resumo e Conclusões

     Os adoçantes artificiais nos refrigerantes têm sido associados a uma série de alterações na saúde, como o ganho de peso e portanto, são muitas vezes promovidos como uma alternativa.  No entanto, a segurança dos adoçantes artificiais tem sido contestada, e as consequências da elevada ingestão dos mesmos nas mulheres grávidas foram minimamente abordadas. 
     A ingestão diária de refrigerantes com adoçantes artificiais pode aumentar o risco de parto prematuro. No entanto, mais estudos são necessários para rejeitar ou confirmar esses resultados. 



     Aspartame administrado na ração induz cancros no fígado e no pulmão em ratos de sexo masculino.
     Morando Soffritti, MD,_ Fiorella Belpoggi, DBS, Marco Manservigi, DBS, Eva Tibaldi, DBS, Michelina Lauriola, PhD, Laura Falcioni, DVM, and Luciano Bua, MD (2011).

     Resumo e Conclusões

     O Aspartame  (APM) é um conhecido adoçante artificial intenso utilizado em mais de 6.000 produtos.  Entre os principais usuários do aspartame estão crianças e mulheres em idade fértil. Em experiências anteriormente realizadas em vida Sprague-Dawley, demonstrou-se que a APM é um agente cancerígeno em vários locais e que seus efeitos são aumentados quando a exposição começa a partir da vida pré-natal.
     Os resultados do presente estudo confirmam que a APM é um agente cancerígeno em vários órgãos dos roedores, e que este efeito é induzido em duas espécies, ratazanas (machos e fêmeas) e ratos  (machos). Não foram observados efeitos cancerígenos em ratos fêmeas.



     Actividade antidiabética e triagem fitoquímica do extracto bruto de Stevia rebaudiana em ratos com diabetes aloxânico
     Kujur RS , Singh V , M Ram , Yadava HN , Singh KK , Kumari S , Roy BK (2010).

     Resumo e Conclusões

     A Stevia rebaudiana regula o açúcar no sangue, previne a hipertensão e as cáries.  Outros estudos têm mostrado que ela tem uma acção antibacteriana, assim como propriedades antivirais.
     Pensa-se que os extractos de Stevioside rebaudiana poderiam diminuir o nível de glicose no sangue em ratos diabéticos de forma dependente do tempo. Fonte: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21808578



     Efeitos dos extractos de Stevia rebaudiana (Bertoni) e de N-nitro-L-arginina sobre a função renal e a ultra-estrutura das células renais em experiências na Diabetes tipo 2
     Ozbayer C , Kurt H , S Kalender , Ozden H , HV Gunes , Basaran A , Cakmak EA , Civi K , Y Kalender , Degirmenci I (2011).

     Resumo e Conclusões

     A Diabetes é a principal causa de insuficiência renal crónica. O objectivo foi determinar os efeitos da N-nitro-l-arginina (L-NNA) e de extractos de Stevia rebaudiana (Bertoni) (SRB) na função renal, de ratos diabéticos produzindo estreptozotocina nicotinamida (STZ-NA).  
     Os ratos foram divididos em sete grupos.  Três desses grupos foram controlos.  A diabetes foi induzida por STZ-NA nos outros grupos restantes. Os ratos diabéticos foram tratados com SRB (200 mg / kg), L-NNA (100 mg / kg), ou SRB + L-NNA durante 15 dias, após o aparecimento da diabetes.  No final, amostras de urina e sangue foram colectadas, como também amostras de tecido renal. Certas mudanças na filtração renal foram determinadas pela medição do pH da urina, volume de urina e creatinina sérica e urinária. 
     As alterações na ultra-estrutura do rim foram determinadas por microscopia electrónica e alterações histológicas foram examinadas por hematoxilina e eosina. 
     Não foram observadas diferenças estatísticas na creatinina urinária ou na clearance. Observou-se uma maior actividade do óxido nítrico sintase (NOS) em ratos diabéticos tratados com SRB. 
     Os ratos diabéticos tratados com SRB apresentaram menos inchaço mitocondrial e vacuolização no rim do que os outros grupos diabéticos.  
     Os grupos controlo apresentaram uma estrutura histológica normal, enquanto nos grupos diabéticos, um espessamento da membrana, células epiteliais tubulares e degeneração celular foram observados. 
     Assim, a SRB tem efeitos benéficos sobre a diabetes em comparação com L-NNA.  Os resultados apoiam a validade de SRB para a gestão da diabetes, assim como nos efeitos renais induzidos pela mesma.

 
STEVIA LUSA 2012
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